Contos/Pensamentos

A Largada e a chegada. . .
Em meio às turbulências que emanam do coração humano sempre existirá o ponto de partida e o ponto de chegada, do qual os batimentos aceleram com mais alegria, visando uma expressão de dúvida ou até mesmo de afirmação. Adrenalina é o que impulsiona esses batimentos a pulsar será sim o fator primordial de que temos a certeza de que estamos vivos e não vivendo como zumbis, sem rumo, perdidos, soltos por este mundo às vezes repletos de sofrimentos, onde cada vez mais os batimentos cardíacos se aceleram pelo medo da dor, pela perda, pelo sofrimento da falta de justiça da falta de bons modos ou da boa educação que está em falta (em alguns aspectos).
E lá se vai. . . Mais um dia, cansativo e repleto de vitórias, de alegrias de entusiasmo de cansaço psíquico do querer transformar e não conseguir, da angústia de ver que às coisas poderiam ser transformadas, mudadas, mas que este é um processo longo e a cada dia, percebe-se a falta do interesse, o não querer ser ninguém a não busca de valores éticos, o não querer transformar.
Projetos? Vários. . . Plano de carreira? É de se pensar; vontade de mudança? Nossa essa sim emana do mais profundo ser desse coração humano e de todos aqueles que amam o que fazem e que ainda possui no seu íntimo esta vontade. É isso mesmo! É o mesmo coração do inicio do ponto de partida e do ponto de chegada, que sente dor, alegria, esperança, saudades que possuem desejos de mudanças de transformação, que bate que pulsa que torce em querer observar a mudança sendo realizada com sabedoria e entusiasmo.
O importante mesmo é saber o que realmente estamos fazendo, se por um acaso não soubermos não há com o que se preocupar, estamos no caminho certo, pois neste mundo de incertezas e certezas, de seguranças e de inseguranças o correto é continuarmos com a nossa luta e fazer o que gostamos, o ponto de partida às vezes não terá como mudar, pois já se deu a largada, mas juntos se quisermos poderemos ter um bom ponto de chegada, cheio de vitórias.
Tiago Augusto Messias.:

No alto de um grande edifício estava uma garota chamada Melissa, a água da chuva molhava-lhe o cabelo castanho cacheado, alisando-o. Os trovões caíam perto do lugar onde estava. Os raios iluminavam o céu escurecido pela densa noite, tons de roxo se alternavam em um espetáculo de cores e o barulho das gotas caindo no cimento da rua se intensificava.
Respirou profundamente e sentiu o peso dos ombros lhe deixando lentamente. Fechou seus orbes verdes e começou a cantar uma canção bem devagar, feita só para seus ouvidos. A letra foi surgindo, cantava em um idioma há muito perdido no tempo, esquecido pela humanidade, mas que parecia fácil para ela.
Enquanto a harmoniosa melodia ia tomando forma e vida própria, uma luz fraca começou a brilhar ao lado da menina, uma figura extremamente familiar apareceu. Parecia uma pequena garota com seus cinco anos, de cabelos tão dourados como o ouro retirado da fonte mais pura e valiosa e cachos que iam até sua cintura. Sua voz se uniu a da outra num ritmo impecável.
A menina mais velha olhou para o lugar de onde vinha o som e não pode esconder um sorriso que brotou em seu rosto ao ver seu reflexo quando criança. As duas se entreolharam ainda com a canção fluindo de suas bocas. Um belo dueto havia sido formado.
A tempestade resolveu acompanhar a calmaria da música e foi cessando aos poucos, as estrelas começaram a brilhar no céu parecendo dançar em sintonia e alegria em uma dança eterna.
Melissa abaixou-se com seu vestido azul-claro todo ensopado até ficar da altura de sua pequena versão. A garotinha veio a seu encontro e deu-lhe um abraço apertado, cheio de saudades. A maior não conseguiu conter as lágrimas, que já corriam pelo seu rosto e misturavam-se com a chuva.
Sua infância havia passado há tanto tempo… Quase havia esquecido o cheiro da infância, as experiências novas e únicas. Os sonhos… Ah, os sonhos… Tinha tantos sonhos…
A criança enxugou-lhe a face, com seus pequenos lábios sorriu animadamente e pegou-lhe as mãos.
A melodia foi abaixando até tornar-se um sussurro quase inaudível na calada da noite nevoada.
– Nunca se esqueça de mim. – a garotinha lhe disse.
Ela foi desaparecendo com o vento suave e com o ronco dos trovões ao longe, sua imagem havia se tornado apenas um borrão na fina garoa que insistia em cair.
De vez em quando, Melissa precisava daqueles momentos sozinha, com seus pensamentos, seus sonhos… Era como se ganhasse força quando já não tinha mais. Sentia-se mais forte e mais determinada, sua criança interior lhe dizia para seguir seus sonhos, não importasse quão distante e impossíveis eles possam parecer.
Levantou-se e seguiu rumo a porta que a levava para seu apartamento. Antes de entrar, deu uma olhada no horizonte sem fim, além da cidade e das montanhas e pensou que algum dia estaria onde sempre quis estar.
– Nunca vou lhe esquecer, pequena. – com isso fechou a porta atrás de si.
” Uma voz de criança pode ser ouvida, ecoando pelas ruas, cantando a música e acalmando e incentivando os corações de sonhadores”.

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